Mais circulação na lusofonia só se houver razões económicas


30 de Maio de 2017, ás 18:36 escrito por UECPLP



O antigo primeiro-ministro de Moçambique Mário Machungo defendeu hoje que enquanto não houver uma necessidade económica o fluxo migratório entre países lusófonos não vai aumentar e a livre circulação nos países da lusofonia não vai acontecer.

"Enquanto não houver razões económicas para o movimento de pessoas não haverá livre circulação nos nossos países", disse Mário Machungo num debate nas Conferências do Estoril sobre a lusofonia, que juntou também o presidente da câmara de Cascais e o antigo diretor-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e atual embaixador da Guiné-Bissau em Lisboa, Hélder Vaz Lopes.
Lembrando que hoje o movimento de emigração dos moçambicanos está a crescer em direção à China, país que assume um papel cada vez mais importante em África, Mário Machungo vincou que a grande oportunidade para o movimento de cidadãos lusófonos, nomeadamente de Portugal para Moçambique, passa pelo aproveitamento dos grandes megaprojetos em curso e em projeto.
"Precisamos da participação do capital português nesses megaprojetos, como a liquefação do gás no norte do país, que atualmente são de capital norte-americano e italiano", disse Machungo, concluindo que "se Portugal tiver capacidade de se antecipar e ver a oportunidade desses grandes projetos pode viabilizar esse grande movimento de pessoas e de investimentos".
Para Hélder Vaz Lopes, a lusofonia resulta de uma "convivência secular" e deve ser aprofundada "criando condições para que o cidadão da CPLP se sinta em casa em cada um dos países", nomeadamente facilitando a circulação.