CGD pretende ser facilitador de negócios entre a China e os países de língua portuguesa


10 de Maio de 2016, ás 11:20 escrito por UE-CPLP



O grupo estatal financeiro português Caixa Geral de Depósitos (GCD) está-se a posicionar para, a partir de Macau, onde tem uma presença relevante através do BNU, funcionar como um facilitador de negócios entre a China e os países de língua portuguesa.

O grupo estatal financeiro português Caixa Geral de Depósitos (GCD) está-se a posicionar para, a partir de Macau, onde tem uma presença relevante através do BNU, funcionar como um facilitador de negócios entre a China e os países de língua portuguesa, disse à Macauhub Alberto Soares, “Chief China Officer” do grupo.

Tendo em atenção o papel já desempenhado e a desempenhar por Macau no que se refere ao relacionamento entre a China e os países de língua portuguesa, a Caixa Geral de Depósitos decidiu afectar um quadro superior, para, em colaboração com o BNU,  prestar apoio às empresas portuguesas e às dos países de língua portuguesa que pretendam ter relações comerciais com a China, bem como às empresas chinesas que pretendam estabelecer relações de negócio com aqueles países.

Alberto Soares, responsável por concretizar este plano da Caixa Geral de Depósitos, disse à Macauhub que a ideia subjacente a esta decisão está relacionada com o esforço que o grupo estatal português tem estado a efectuar há já alguns anos e que passa “pela maximização do potencial da rede internacional do grupo.”

A CGD dispõe para este negócio de uma posição única à escala mundial que é o facto de ser a única instituição bancária presente em sete dos oito países de língua portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – sendo a única excepção a esta realidade a Guiné-Bissau.

Em Angola o grupo está presente através do Banco Caixa Geral Angola, no Brasil dispõe do Banco Caixa Geral Brasil, em Cabo Verde controla dois bancos, Comercial do Atlântico e Interatlântico, em Moçambique está no mercado através do Banco Comercial e de Investimentos, em São Tomé e Príncipe detém o Banco Internacional de São Tomé e Príncipe e em Timor-Leste existe o BNU Timor.

Além da presença em sete dos oito países de língua portuguesa, a Caixa Geral de Depósitos assume-se como líder de mercado em cinco deles – Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste – sendo que no caso de Moçambique assumiu recentemente essa liderança, em termos de activos totais, depois de ter destronado o Banco Millennium Moçambique, do grupo Banco Comercial Português.

O grupo detém em Portugal 721 agências, 4 milhões de clientes, mais de um terço da população portuguesa, um activo total superior a 100 mil milhões de euros e uma quota de depósitos de 28% e de concessão de crédito de 22%, assumindo-se como a principal instituição bancária do país.

Em Macau, o grupo CGD está presente com o BNU para a banca universal, instituição que funciona em conjunto com o Banco da China como um dos dois bancos emissores do território, que dispõe de 18 agências, mais de 200 mil clientes ou um terço da população e tem activos totais que excedem 7,5 mil milhões de euros.

E é precisamente em Macau que se concentram os esforços no sentido de estabelecer uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa e vice-versa aproveitando o peso e a importância do BNU e, nomeadamente, o protocolo de cooperação que este banco assinou com o Banco da China Macau.

O “Chief China Officer” referiu-se a Macau como sendo “uma operação muito importante”, onde estão actualmente concentrados os esforços do grupo CGD no sentido de aprofundar o relacionamento entre a China e os países de língua portuguesa por duas ordens de razões – a implantação local do BNU – e, mais importante, o facto de o governo central da China ter decidido fazer do território uma plataforma para o estabelecimento de relações comerciais e económicas com esses países.

“Não posso revelar os nomes das empresas mas posso garantir que tem havido bons resultados práticos em ambos os sentidos”, disse Soares, salientando o bom entendimento e cooperação que tem existido com o Instituto de Promoção do Investimento e do Comércio de Macau (IPIM).

Em termos práticos, a partir de uma rede de departamentos internacionais, um cliente do BNU ou de qualquer outro banco do grupo pode contar com o apoio em qualquer um dos países onde a CGD está presente, em termos financeiros, de informação, de acesso a mercados, de “matchmaking.”

“Tem havido apoio directo a operações em todos os países de língua portuguesa, nomeadamente de empresas chinesas que se têm aproximado devido ao protocolo de cooperação que o BNU tem com o Banco da China”, disse ainda o “Chief China Officer” do grupo CGD e administrador não-executivo do BNU.

Ainda neste âmbito, Alberto Soares revelou à agência Macauhub estar a ser ultimado, ao abrigo do protocolo de cooperação com o Banco da China, um mecanismo que permita a utilização, por toda a rede internacional do grupo, da moeda chinesa – o renminbi – nas transacções comerciais e nos demais negócios entre a China e os países de língua portuguesa.

Pedro Cardoso, presidente da Comissão Executiva do BNU, declarou recentemente que os negócios da instituição com os países de língua portuguesa cresceram 153% em 2015 tendo, no caso específico de clientes apenas de Portugal, registado um crescimento de 395%.

Pedro Cardoso garantiu ainda haver um grande espaço de crescimento neste tipo de relacionamento, embora no passado recente se tenha assistido a uma contracção significativa do relacionamento comercial entre a China e os países de língua portuguesa. (Macauhub/CN/MO/PT)

 

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