Envolvimento de empresas asiáticas pode reduzir custos timorenses no Greater Sunrise


25 de Outubro de 2018, ás 10:43 escrito por UECPLP



Timor-Leste tem estado a negociar com empresas asiáticas o seu eventual envolvimento no desenvolvimento dos campos de Greater Sunrise e na compra do gás produzido, reduzindo os custos timorenses no projeto, disse à Lusa fonte envolvida nas negociações.

"O que está a ser negociado pode tornar realidade o sonho de um gasoduto para Timor-Leste com um custo reduzido para os cofres timorenses e sem grandes danos para o Fundo Petrolífero", disse a mesma fonte.

 

A estratégia em cima da mesa, explicou a fonte, prevê o envolvimento de empresas asiáticas tanto na componente relacionada com o 'upstream' dos poços do Greater Sunrise, como no 'downstream', até à costa sul de Timor-Leste e posterior tratamento em terra.

 

Em projetos petrolíferos, o 'upstream' abrange as atividades de exploração, perfuração e produção e o 'downstream' as atividades de transporte, distribuição e comercialização.

 

O acordo mais amplo incluiria investimento nas operações nos poços em si, o financiamento bonificado através de créditos com taxas de juro mínimas para o custo do 'downstream' e, na reta final, garantias de compra do gás produzido na planta de GNL (Gás Natural Liquefeito) em Timor-Leste.

 

A decisão de Timor-Leste acordar com a petrolífera ConocoPhillips a compra da sua participação de 30% no consórcio dos poços de Greater Sunrise fez parte desta estratégia.

 

Essa operação já foi aprovada em Conselho de Ministros, terá de ser integrada no Orçamento Geral do Estado para 2019 e tem ainda de passar vários processos, incluindo autorização dos reguladores e o crivo dos restantes parceiros do consórcio que podem exercer direitos preferenciais.

 

Na semana passada em Lisboa, Xanana Gusmão - que tem liderado as negociações sobre todo o processo em nome de Timor-Leste - explicou que além da compra o Governo iniciou "um calendário de atividades, em vários aspetos, e contactos também" porque o país necessita "de outras companhias ou de parceiros".

 

A posição timorense é de que a compra da posição da Conoco ajuda a avançar o objetivo de trazer o gasoduto para o sul de Timor-Leste.

 

"Se tudo correr bem, nos finais de 2021, arrancam as obras da plataforma no mar, do gasoduto e da planta do GNL (Gás Natural Liquefeito) em Timor-Leste", disse Xanana Gusmão, explicando que as obras estarão concluídas no final de 2025, para Timor produzir gás a partir do ano seguinte.

 

Com o projeto de desenvolvimento a custar, segundo estimativas, até 13 mil milhões de dólares - entre 6 e 7 mil milhões no 'upstream' e entre 5,5 e 6 mil milhões no 'downstream' - a 'fatura' para Timor-Leste pode ser significativa.

 

Xanana Gusmão notou que com Timor-Leste a fazer parte do consórcio há uma parte do investimento que terá de ser suportada pelo país - sem revelar o valor dessa parcela - explicando que os cálculos sobre o que cada um vai pagar já estão feitos e os estudos técnicos de viabilidade também concluídos.

 

A solução mais ampla, que envolveria as empresas asiáticas, pretende conseguir que o custo para os cofres timorenses seja "bastante mais reduzido", explicaram as fontes.

 

Esta solução, contornos dos quais têm de permanecer para já confidenciais - segundo explicaram várias fontes ouvidas pela Lusa - depende em grande parte de quem assumirá a titularidade da equidade da participação de 30% no consórcio.

 

"Esta questão pode condicionar a decisão de outros parceiros usar direitos preferenciais sobre a compra da parte da Conoco", disse uma das fontes.

 

As petrolíferas envolvidas no consórcio, explicou, mostram-se inquietas em que a equidade seja controlada diretamente pelo Governo timorense, nomeadamente através da petrolífera nacional.

 

Se isso ocorrer, disse uma das fontes ouvidas pela Lusa, o projeto poderá acabar "bloqueado" já que qualquer detentor de mais de 20% de controlo no consórcio tem poder de veto sobre o modelo de desenvolvimento.

 

Note-se que o Ministério do Petróleo e Minerais (MPM) timorense inscreveu os 350 milhões de dólares da operação nas contas da Timor Gap para 2019, no âmbito da proposta para o Orçamento Geral do Estado para 2019.

 

Esse valor faz parte dos 374 milhões de dólares que o MPM orçamentou para si e para as instituições que tutela, entre as quais a petrolífera timorense, a Timor Gap.

 

O consórcio do Greater Sunrise é liderado pela australiana Woodside, a operadora (com 34,5% do capital), e inclui a ConocoPhillips (30%), a Shell (28,5%) e a Osaka Gas (10%).

 

Esta semana o responsável da Woodside, considerou que "desagregar" o investimento nos vários componentes do projeto pode ajudar a resolver o impasse sobre o negócio.

 

"Se desagregar o projeto - o que significa que a propriedade da unidade 'onshore' e do gasoduto é diferente de um 'upstream' - então poderemos ver um caminho para investir no 'upstream' e esse é um modelo que vemos na Indonésia e na Malásia e que funciona de forma bastante eficaz", disse Coleman.

 

A diretora financeira da petrolífera, Sherry Duhe, confirmou que a Woodside e os restantes parceiros do consórcio decidirão "em breve" se vão ou não exercer os direitos de preferência sobre a participação da Conoco.


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