Moody


01 de Outubro de 2018, ás 10:02 escrito por UECPLP



Os projectos de extracção de gás dão boas perspectivas económicas a Moçambique, mas só depois de estruturar a dívida é que o governo poderá ganhar acesso aos mercados, afirmou hoje a analista da Moody's, Lucie Villa.

"A economia está a crescer, o que é interessante, e continuará a crescer, porque os projectos de energia estão a progredir e para esses projectos de energia, que são enormes, avançarem é preciso muito mais investimento e isso tem um grande efeito multiplicador na economia", disse à agência Lusa, à margem de um seminário sobre a África Subsaariana.

Porém, a dívida elevada do país precisa de ser reestruturada antes de Moçambique poder emitir nova dívida, acrescentou a economista francesa.

"Será difícil para o governo [moçambicano} ter acesso aos mercados internacionais porque a única dívida que está por pagar no mercado internacional não está a ser paga, o governo não está a pagar os cupões", vincou.

Villa, que é vice presidente e directora do Sovereign Risk Group, o departamento que acompanha a dívida soberana, diz que, independentemente da forma, o importante na reestruturação é reduzir a dívida para um nível sustentável.

"Isso poderia potencialmente colocar alguma pressão de subida no rating, porque se a dívida for menor e mais fácil de pagar, por exemplo as maturidades mais longas e as taxas de juro mais baixas, então é positivo", adiantou.

Moçambique tem actualmente o rating negativo de Caa3, o mais baixo dos 101 países que a Moody's cobre, com excepção da Venezuela, que tem um rating de C.

O Comité da Dívida, que junta credores da dívida soberana, propôs no início de Agosto ao governo moçambicano o pagamento de 200 milhões de dólares até 2023 e a partir daí entregar o restante em função das receitas fiscais dos projectos de gás natural - com arranque de produção previsto para 2022.

Segundo fonte ligada às negociações, que falou à Lusa, a proposta que o comité dos credores entregou ao ministro das Finanças prevê que o Governo adie o pagamento de 860 milhões de euros, correspondentes a 80% do serviço da dívida, até à maturidade dos títulos, em 2023.

A proposta dos credores mantém a exigência do pagamento total da dívida pública emitida, mas alarga o respectivo prazo, acrescentou.

O Comité da Dívida é composto por um grupo de credores que diz representar mais de 70% do total da dívida soberana de 727,5 milhões de dólares emitida em 2016 no seguimento da reconversão dos títulos obrigacionistas emitidos pela empresa Ematum, com garantia estatal.


Procurar