O que o FMI vai mudar em Angola


26 de Setembro de 2018, ás 09:57 escrito por UECPLP



Angola deverá cortar em €606 milhões as despesas com ministérios e vários organismos públicos, apurou o Expresso junto de uma fonte do Ministério das Finanças. Esta é uma das exigências que os peritos do Fundo Monetário Internacional (FMI) colocarão em cima da mesa quando, em outubro, iniciarem as discussões para a implementação de um Programa de Financiamento Ampliado (EFF — Extended Fund Facility) de dois anos.



Angola deverá cortar em €606 milhões as despesas com ministérios e vários organismos públicos, apurou o Expresso junto de uma fonte do Ministério das Finanças. Esta é uma das exigências que os peritos do Fundo Monetário Internacional (FMI) colocarão em cima da mesa quando, em outubro, iniciarem as discussões para a implementação de um Programa de Financiamento Ampliado (EFF — Extended Fund Facility) de dois anos.


Com este programa, o FMI apoiará Angola com um em- préstimo avaliado em 1,3 mil milhões de dólares por ano, podendo esta cifra atingir um máximo de 4,5 mil milhões de dólares no terceiro ano.


Como contrapartida, o governo adotará um conjunto de medidas cirúrgicas que visam estancar o despesismo, através de uma rigorosa política de austeridade.


Com a chegada deste plano de resgate à economia, as au- toridades de Luanda esperam contar ainda com o apoio do FMI para envolver o Banco Mundial com montantes mais elevados do que os que estão atualmente a ser negociados.


Angola, segundo apurou o Expresso, admite ainda vir a discutir com o FMI um pacote adicional para renegociar ou reescalonar as dívidas para aliviar o peso do serviço da dívida em relação à despesa pública total.


Atrair investimento direto estrangeiro, reduzir os custos dos financiamentos obtendo-os em condições adequadas para efetuar os pagamentos ao exterior, manter um volume apropria- do de reservas internacionais líquidas e encontrar soluções para a cobertura do défice or- çamental figuram entre algu- mas das medidas a incluir no pacote a negociar com o FMI.


Para muitos analistas, depois de sucessivos adiamentos do seu antecessor, com a corda no pescoço e o país à beira da bancarrota, o Presidente João Lourenço não tinha outra alternativa senão ir agora bater à porta daquele organismo.


“Angola perdeu muito tempo, há dois anos, quando não quis abraçar o programa do FMI”, recorda o economista Carlos Rosado. “Pôr em prática esse programa é uma forma também de dar seguimento ao compromisso das reformas lançadas pelo Presidente de Angola e trará credibilidade internacional ao país”, acrescentou aquele professor universitário.


A decisão agora tomada terá sido determinada pelos efeitos devastadores dos últimos anos de governação de Eduardo dos Santos e a prolongada depre- ciação do preço do petróleo, que conduziram a uma gritan- te deterioração da capacidade financeira do país.


“Ainda não conseguimos avaliar em toda a dimensão o buraco financeiro herdado da anterior governação”, disse ao Expresso uma fonte da Presi- dência angolana.


Comportando o atual nível de endividamento externo exigências severas, para o antigo ministro das Finanças, Aguinaldo Jaime, “não faz sentido que uma economia, que cresce a uma taxa anual de 1% a 2%, se endi- vide a uma taxa de 9% ou 10%!”.


Aguinaldo Jaime, que também já foi governador do Banco Nacional de Angola, para tranquilizar a corrente anti-FMI destaca que “os empréstimos deste organismo têm a vantagem de ter taxas bonificadas, concessionais, fator não despiciendo quando se tem um serviço da dívida externa que já absorve mais de 50% das re- ceitas orçamentais.”


Considerando inevitável a adesão a este pacote do FMI para evitar riscos reputacionais gravosos para o país, além da estabilidade dos preços e da estabilidade cambial, o governo de João Lourenço pretende também dar músculo ao programa interno de estabilização macroeconómico e ao progra- ma nacional de desenvolvimento 2018-2022.


Depois de já terem sido feitos cortes nas viagens ao exterior e nos subsídios aos governantes e deputados, as restrições impos- tas pelo FMI estender-se-ão à eliminação, nos próximos seis meses, dos subsídios ao preço do litro da gasolina e do gasóleo atribuídos à Sonangol.


Luanda deverá também acelerar o processo das privatizações de algumas das grandes empresas públicas, nomeadamente a Angola Telecom, que deverá ser privatizada em 45%, e a TAAG cuja parcela a privatizar ainda está em estudo.


“Nalguns casos vamos colocar uma percentagem do capital de determinadas empresas na bolsa e reservar algumas participações para entidades angolanas”, diz ao Expresso fonte do governo.

 

Notícias: angonoticias.com/


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