BMI: Banco de Moçambique deve "cortar agressivamente" taxa de juro este semestre


06 de Março de 2018, ás 09:36 escrito por UECPLP



A consultora BMI Research considera que o Banco de Moçambique pode "cortar agressivamente" a taxa de juros de referência em mais 300 pontos-base na primeira metade deste ano, depois da redução de 150 pontos feita esta semana.

"A inflação em Moçambique deve atingir o ponto mais baixo neste primeiro semestre depois de ter caído abruptamente em 2017 e vai subir sustentadamente durante a segunda metade do ano, num contexto de uma moeda mais mais fraca e da diminuição dos efeitos do abrandamento da subida dos preços alimentares", escrevem os peritos desta unidade de análise da agência de notação financeira Fitch.

"Neste contexto, pensamos que o Banco de Moçambique vai reduzir a taxa de juro directora de forma bastante agressiva durante a primeira metade do ano, para depois a manter", acrescentam os analistas, numa nota divulgada aos investidores e a que a Lusa teve acesso.

"Depois de um corte de 150 pontos base na primeira reunião do ano, em Fevereiro, esperamos um novo corte de 300 pontos base este ano, provavelmente ainda no primeiro semestre, fazendo a taxa descer para 15% até ao final do ano", acrescentam os analistas.

A análise da BMI Research surge na mesma semana em que o governador central moçambicano alertou para o facto de o endividamento interno ter subido de 98.497 milhões de meticais (1.313 milhões de euros) em Dezembro de 2017 para 104.797 milhões de meticais (1.398 milhões de euros) em Fevereiro.

"Quando o Estado recorre aos recursos internos para se financiar, isso significa que está a ser desviado dinheiro que devia ir para o sector privado orientado para a actividade produtiva", afirmou Rogério Zandamela.

O governador afirmou que apenas a reacção do mercado poderá sinalizar se o actual volume da dívida interna é sustentável ou não, tendo em conta o nível de riscos que os credores percepcionarem.

A criação da 'prime rate' moçambicana foi acordada em Maio de 2017 entre o banco central e a Associação Moçambicana de Bancos (AMB) para eliminar a proliferação de taxas de referência no custo do dinheiro.

O objectivo é que todas as operações de crédito sejam baseadas numa taxa única, "acrescida de uma margem (spread), que será adicionada ou subtraída à 'prime rate' mediante a análise de risco" de cada contrato, consoante o banco.

 

 

Fonte: Sapo Notícias 


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