Portugal apoia abastecimento de água e resistência às mudanças climáticas em Moçambique


27 de Fevereiro de 2018, ás 10:43 escrito por UECPLP



Portugal celebrou hoje acordos de cooperação ambiental com Moçambique no valor de 670 mil euros destinados a quatro projetos para o país fazer face a mudanças climáticas e para abastecimento de água a Maputo.

A capital moçambicana está a braços com uma crise que obriga a racionar o abastecimento.

A situação "só não é pior porque temos tido estes apoios", referiu hoje o ministro das Obras Públicas, Carlos Bonete, apontando a busca por fontes de água alternativas à albufeira dos Pequenos Libombos - que está a um quinto da capacidade - como a principal prioridade.

As restrições fazem com que só haja águas nas torneiras a determinadas horas e dias da semana, consoante os bairros, altura em que a população aproveita para encher tudo o que puder.

O governante moçambicano e o ministro do Ambiente de Portugal, João Matos Fernandes, presidiram hoje à assinatura de um plano de ação entre as Águas de Portugal e o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (Fipag).

Portugal atribui 250 mil euros para acudir à emergência de encontrar novos furos que levem água com qualidade para a rede e outra parcela de igual valor vai ser aplicada noutros dois projetos: capacitação para reduzir perdas de água na rede e adaptação da gestão de ativos às alterações climáticas.

No total, o plano hoje assinado no setor do abastecimento de água está orçado em 500 mil euros.

Já durante a manhã, o ministro do Ambiente de Portugal tinha assinado um protocolo de colaboração com o ministro da Terra, do Ambiente e do Desenvolvimento Rural, Celso Correia.

O documento prevê um apoio de 170 mil euros aos Programas de Ação Comunitário de Adaptação (PACA) às alterações climáticas, baseados em atividades ao nível local - identificadas a partir de processos de consulta e orçamentos participativos.

No total, os apoios atribuídos a Moçambique na área ambiental para este ano e hoje subscritos ascendem a 670 mil euros - mais 28% que em 2017, quando Portugal transferiu 525 mil euros para apoiar a execução de furos para captação de água, quando a crise na região de Maputo foi mais aguda.

No caso, houve "mérito na execução do Governo moçambicano", destacou hoje João Matos Fernandes.

As verbas estão a ser atribuídas pelo Fundo Ambiental, uma ferramenta criada a 01 de janeiro de 2017 que, segundo o governante, dá maior agilidade aos apoios concedidos por Portugal.

"Em face de uma necessidade concreta em Moçambique, em 15 dias temos liberdade e autonomia para poder dizer sim, desde que tenhamos capacidade financeira, e essa é uma novidade", referiu.

O fundo prevê a distribuição de 10 milhões de euros, até 2020, para cooperação com os países africanos de língua portuguesa (PALOP), Timor-Leste e Tunísia.

O orçamento para a cooperação no primeiro ano foi de milhão e meio de euros, mas acabaram por ser investidos 1,8 milhões de euros, valor que subiu para 2,5 milhões a atribuir em 2018 - em que se incluem os 670 mil hoje celebrados em Maputo.

 

Fonte: O Jogo