PORTUGAL | Banco da China quer apoiar exportadores portugueses


20 de Outubro de 2017, ás 10:49 escrito por UECPLP



Empresas portuguesas que querem vender os seus produtos para o mercado chinês vão ter apoio na operação financeira e no conhecimento do mercado.

O Banco da China disponibilizou-se para apoiar as empresas portuguesas que querem exportar para a China, não só através do apoio na operação financeira, mas também no conhecimento do mercado e das empresas chinesas. E este apoio não será o único com que as empresas portuguesas poderão contar no esforço para entrar no mercado chinês. Esta semana, em Macau, foi assinado um memorando de entendimento entre a COSEC, a empresa portuguesa de seguros de crédito à exportação, e a autoridade monetária de Macau para o desenvolvimento de uma ECA, uma Export Credit Agency de língua portuguesa.  
 
Este acordo foi assinado na mesma altura em que decorre a 22ª Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla em inglês), que amanhã termina e em que, pela primeira vez, conta com uma Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa (PLPEX).  
 
Mário Costa, presidente da União dos Exportadores da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), disse, em declarações ao Jornal Económico, que o mercado chinês constitui uma oportunidade para as empresas portuguesas, "pela dimensão e pela capacidade financeira que tem, mas também é o desconhecido. É um desafio'.  
 
"Para vir para a China, é preciso vir com paciência, conhecer primeiro o mercado, conhecer os hábitos de consumo em relação ao consumo dos produtos que se comercializam, porque são diferentes. E as empresas têm de ter capacidade de adaptação e de encontrar o parceiro certo para fazer negócios", acrescenta.  
 
Mário Costa explica que a associação foi contactada pelo Banco da China, que manifestou disponibilidade para "financiar exportações de empresas para a China e para dar segurança nas transacções financeiras".  
 
O apoio traduz-se, à partida, na avaliação do risco do cliente. "São o maior banco da China e conseguem ajudar nessa avaliação", diz Costa.  
 
Depois, o apoio verifica-se "na própria operação financeira, de fazer cartas de crédito, porque o conhecimento do mercado que eles têm é muito melhor e conseguem dar segurança", acrescenta.  
 
A associação está já a preparar casos concretos para apresentar à instituição financeira, para se iniciarem os processos.  


 
Alargar apoio às PME  
 
Paralelamente aos eventos que decorrem em Macau, houve discussões sobre fundo de investimento da China para os países de língua portuguesa e a necessidade de o adaptar à realidade das pequenas e médias empresas. O presidente da Associação de Jovens Empresários Portugal-China (AJEPC), Alberto Carvalho Neto, disse ao Jornal Económico que este é "um fundo que tem de ser adaptado à realidade das PME" e defende a "necessidade de se fazerem algumas mudanças, para que possa ter um impacto real". Alberto Carvalho Neto está presente na MIF, mas também participou no III Fórum de Jovens Empresários entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, que decorreu quarta-feira, em Macau.  
 
O secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, que esteve presente no Fórum e na inauguração da MIF, aponta que "há um entendimento das autoridades de Macau, na sequência também daquela que é o entendimento das autoridades de Pequim, que Macau pode ser uma plataforma de intersecção, de ligação entre a China e os países de língua portuguesa". Assim, o futuro passa pelo aprofundar desta ideia, procurando também que instrumentos como o Fundo para a Cooperação com os Países de Língua Portuguesa possa ter uma abordagem para um conjunto de projetos mais abrangente. 

 

Fonte: Jornal Económico