MOÇAMBIQUE | Porto de Maputo já tem capacidade para receber navios de grande porte


07 de Julho de 2017, ás 10:44 escrito por UECPLP



Terminal amplia-se para grandes navios

Martine é o nome da primeira embarcação do tipo Panamax - um navio de grande calado, com capacidade de carregamento de 85 mil toneladas - que entra nas operações portuárias do Terminal de Carvão da Matola. É a primeira vez que atraca uma embarcação daquela capacidade, como resultado do processo de dragagem do canal que dá acesso ao porto de Maputo, terminado no início deste ano.

“O cais foi aprofundado para -15.4 metros de Sonda Reduzida, para acomodar o carregamento de navios Panamax totalmente carregados”, destaca o comunicado de imprensa da empresa Grindrod, concessionária dos terminais de carvão e de viaturas no porto de Maputo.

As operações de carregamento da primeira grande embarcação estão em curso no terminal de carvão da Matola e reina um entusiasmo no seio dos gestores devido às vantagens competitivas que isso representa. “Estamos a iniciar uma nova era no terminal. Temos aqui um navio grande, um Panamax, que vai levar cerca de 85 mil toneladas. Portanto, isto não era possível antes, por causa de constrangimentos ao longo do canal, mas hoje é possível. Maputo, Moçambique, neste preciso momento, está em condições de competir com os outros terminais na região”, precisou Pedro Poh-quong, gestor operacional do Terminal de Carvão da Matola.

Uma dessas vantagens tem a ver com o tempo de transporte da mercadoria. Das minas de carvão na província sul-africana de Gauteng até ao porto de Maputo, por exemplo, o comboio de mercadoria leva 34 horas, menos nove comparando com o tempo que os cargueiros levam daquela região mineira até ao porto Richards Bay, na África do Sul.

E mais do que receber “os gigantes do mar”, o Terminal de Carvão da Matola destaca-se também pela eficiência na operação portuária: a torre de carregamento tem  capacidade de carregamento de cerca de três mil toneladas por hora. “Geograficamente, estamos muito bem posicionados, porque as mineradoras sul-africanas estão todas na região próxima de nós e há uma preferência em relação ao Terminal de Carvão de Maputo”, destacou Poh-quong.

Neste momento, o terminal em referência manuseia carvão mineral e magnetite que vêm da África do Sul, com destino à China e Índia, na sua maioria. A capacidade instalada, actualmente, é de sete milhões e quinhentas mil toneladas por ano e, nos próximos tempos, subirá para nove milhões, depois da conclusão do processo de expansão em curso.

“Os trabalhos incluem, do lado marítimo, o aprofundamento do cais existente, trabalho de reabilitação e expansão do cais, através de um afastamento de 8.5 metros. Além disso, o maior carregador de navio do Terminal de Carvão da Matola foi modificado, tendo sido estendido o braço, para poder carregar a esta distância. Um estudo de engenharia está em curso para avaliar as mudanças que precisam de ser feitas para o segundo carregador de navio, sendo que as modificações serão implementadas na segunda metade do ano”, esclareceu a Grindrod.

Durante o primeiro semestre do ano em curso, registou-se um crescimento do volume de exportações, resultante da demanda do mercado asiático, a partir daquele local.  Foram exportadas 750 000 toneladas de carvão mineral e 1 800 000 toneladas de magnetite, segundo dados oficiais.

Em  termos de perspectivas, o Terminal de Carvão da Matola planeia exportar 185 000 a 200 000 toneladas de carvão por mês e 300 000 a 350 000 toneladas de magnetite.

O porto de Maputo é uma das grandes alternativas para saída e chegada de mercadoria dos países que não têm acesso ao mar, como é o caso da Suazilândia, para além da própria África do Sul, que, devido ao congestionamento de alguns portos, usa Maputo como segunda opção. Entretanto, a ambição de superar os portos sul-africanos depende de vários aspectos, dentre eles a eficiência portuária (em termos de tecnologia de carregamento e descarregamento), serviços inerentes à actividade portuária, como as Alfândegas, bem como acesso de navios de grande calado.

 

Fonte: O País