CABO VERDE | FMI prevê continuidade de “bom desempenho” da economia cabo-verdiana em 2017


27 de Junho de 2017, ás 11:56 escrito por UECPLP



Max Alier sublinhou também a melhoria do saldo das contas externas do país, que acumulou reservas internacionais "a um nível historicamente alto por volta dos 540 milhões de euros".

O novo chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Cabo Verde perspetivou hoje, na cidade da Praia, que o bom desempenho da economia cabo-verdiana deverá manter-se em 2017, estimando um crescimento próximo dos 4%.

“O ano passado foi um ano bom para a economia cabo-verdiana especialmente quando comparado com os quatro anos anteriores, o crescimento foi bem mais forte [3,9%]. A nossa perspetiva para 2017 é que o bom desempenho da economia se mantenha”, disse Max Alier.

O responsável, que é também o representante do FMI para Angola, falava aos jornalistas no final da sua primeira deslocação a Cabo Verde como novo chefe de missão para o país e no âmbito da apresentação local das perspetivas de crescimento para a região da África Subsaariana.

“Cabo Verde teve um período de crescimento fraco entre 2012 e 2015. A média do crescimento ficou abaixo de 1% ao ano. No ano passado, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INECV) mostram que a economia cresceu perto de 4%, o que é uma aceleração importante do crescimento”, assinalou.

“As nossas projeções são de que o crescimento em 2017 se mantenha perto do mesmo patamar do ano passado, que foi um ano positivo para Cabo Verde”, acrescentou.

Max Alier sublinhou também a melhoria do saldo das contas externas do país, que acumulou reservas internacionais “a um nível historicamente alto por volta dos 540 milhões de euros”.

Sobre a missão, o responsável do FMI explicou que se tratou de recolher dados sobre o fecho de 2016 e ver como correu o primeiro trimestre de 2017 e que, até final do ano, em data ainda a definir, acontecerá a missão de avaliação anual ao abrigo do artigo IV da organização.

Max Alier lembrou que para se conseguir manter um bom desempenho económico ao longo do tempo é preciso “uma série de reformas continuadas”, explicando que esta visita serviu também para “entender melhor a agenda das reformas do Governo”.

Questionado sobre se com estas perspetivas, a meta de crescimento médio anual de 7% estabelecida pelo Governo será alcançável, Max Alier adiantou que o objetivo da missão foi de curto prazo.

“Temos que analisar o pacote total de medidas do Governo para poder fazer essa avaliação. Para já, a nossa avaliação está focada apenas em 2017. Vamos entender 2016 e ver em 2017 como está o desempenho. Quando voltarmos para a missão de avaliação, teremos uma perceção mais de longo prazo”, disse.

No mesmo sentido, o responsável do FMI não se pronunciou sobre as reformas anunciadas pelo Executivo para as empresas públicas, nomeadamente a empresa de aviação TACV, por ser conhecida apenas parte do processo de reestruturação da companhia.

Sobre as perspetivas de crescimento da economia da África Subsaariana, Max Alier assinalou o franco crescimento em 2016, na ordem dos 1,5%, o mais baixo registado na região nas últimas duas décadas.

“Para 2017, as nossas projeções são que o crescimento aumente um pouco até 2,7% para a região subsaariana, mas é um crescimento determinado numa grande medida por temas pontuais. Por exemplo, na Nigéria tem um aumento da produção de petróleo – no ano passado houve uma quebra -, Angola tem um ano eleitoral, a África do Sul está a recuperar das secas. São questões pontuais que estão a levar a um maior crescimento, mas é um crescimento ainda relativamente fraco e só ligeiramente acima do crescimento da população na região”, disse.

Os países produtores de petróleo e matérias-primas foram os mais afetados devido à queda dos preços, que beneficiou países como a Costa do Marfim, o Senegal ou o Quénia, que não são dependentes de matérias-primas.

“Aqueles países têm as economias mais dinâmicas e com taxas de crescimento por volta de 5% a 7,5%”, disse, adiantando que “parte do que aconteceu com o crescimento tem a ver como o facto de as políticas económicas não se terem ajustado à realidade tão rápido quanto desejável”.

Fonte: Lusa